O Cinema Novo
Nos anos 60, o desânimo cultural do cinema oficial do regime foi
abalado pelo aparecimento do movimento “Cinema Novo Português”. Uma
nova geração de realizadores e cinéfilos, muitos deles formados no estrangeiro
e influenciados pela Nouvelle Vague francesa e pelo
Neo-realismo italiano, decidiu virar as câmaras para o Portugal real.
Rompendo com as comédias artificiais e as epopeias históricas
encomendadas pela ditadura, estes autores saíram dos estúdios para filmar nas
ruas. O foco mudou para os dramas da juventude urbana, a solidão das grandes
cidades, a fratura provocada pela emigração e as dificuldades das classes
operárias e piscatórias. Era um cinema de protesto velado, poético e
melancólico, feito sob o olhar vigilante da censura.
Os cineclubes foram um espaço importante para o cinema em Portugal, principalmente
nos anos 60, onde o cinema e a sua censura se encontravam.
Exemplos de Filmes/Projetos
Dom Roberto, 1962
Dirigido por Ernesto de Sousa, este filme abriu as portas ao realismo social ao acompanhar a vida marginalizada de um bonecreiro ambulante em Lisboa. Na sua estreia no cinema Império, a maior sala de Lisboa, o filme foi ruidosamente anunciado como sendo um filme novo de um novo cinema. Foi selecionado para o Festival de Cannes, mas Ernesto de Sousa foi impedido pela PIDE de nele comparecer, tendo sido perseguido e preso.
Os Verdes Anos, 1963
Realizado por Paulo Rocha, é a obra fundadora do movimento, filme é notável por sua abordagem sensível às dificuldades enfrentadas pelos jovens que deixavam o campo em busca de uma vida melhor nas cidades, refletindo o êxodo rural que começou na década de 1960.
Belarmino, 1964
Um documentário inovador de Fernando Lopes que utiliza técnicas do cinema direto para traçar o retrato psicológico e decadente de um antigo campeão de boxe. Foi um filme inspirado pela Nouvelle Vague francesa mas sempre fiel ao neo-realismo e foi premiado com o Prémio Bordalo.
Figuras Marcantes
Algumas figuras marcantes desta época são os atores Vasco Santana, a figura central e mais amada desta era, cujo humor ingénuo, desajeitado e carismático moldou a comédia nacional para sempre, e António Silva, o contraponto perfeito de Vasco Santana, célebre pelas suas personagens autoritárias, resmungonas, irónicas e paternalistas.
Já realizadores falamos de Cottinelli Telmo, arquiteto e cineasta que realizou A Canção de Lisboa, fundando a estética visual da comédia musical portuguesa. E Leitão de Barros, um realizador ambicioso e polivalente que dirigiu A Severa e várias das maiores superproduções históricas da época.
Continue a viajar pelas várias épocas do cinema português!






