1990

Consolidação do Autor

Durante a década de 1990, o cinema português estabilizou o seu modelo de financiamento público e assumiu, de forma definitiva, o seu divórcio com o grande público comercial em troca de uma reputação artística internacional brilhante.


Foi o apogeu do chamado “Cinema de Autor”. Financiados em grande parte por fundos europeus e pela RTP, realizadores consagrados criaram obras de uma exigência estética e narrativa sem precedentes.


O ritmo dos filmes tornou-se deliberadamente mais contemplativo, poético e devedor da grande literatura. Foi nesta década que Portugal solidificou a sua forte presença nos festivais de topo (como Cannes e Veneza), onde a crítica internacional aplaudia a originalidade radical dos realizadores portugueses, que recusavam imitar as fórmulas fáceis de Hollywood.

cinema 90s

Exemplos de Filmes/Projetos

o sangue

O Sangue, 1989

A deslumbrante longa-metragem de estreia de Pedro Costa, filmada num preto e branco expressionista, que conta a história lírica e misteriosa de dois irmãos.

vale abraao

Vale Abraão, 1993

Dirigido por Manoel de Oliveira, esta transposição do romance de Agustina Bessa-Luís para o Douro vinhateiro é amplamente considerada uma das obras esteticamente mais belas do cinema mundial.

tres irmaos poster

Três Irmãos, 1994

Um drama psicológico urbano realizado por Teresa Villaverde que expôs as margens da sociedade, as fraturas familiares e o vazio existencial da juventude daquela década.

Figuras Marcantes

joaquim de almeida
Joaquim de Almeida
maria de medeiros
Maria de Medeiros
manoel de oliveira
Manoel de Oliveira
joao cesar monteiro
João César Monteiro

As figuras mais conhecidas desta época são Joaquim de Almeida, o ator português que se converteu no grande embaixador de Portugal no estrangeiro durante os anos 90, brilhando no cinema americano e europeu. Maria de Medeiros, que alcançou enorme notoriedade e projeção internacional nesta década, dividindo a sua carreira entre produções de autor portuguesas e papéis em Hollywood (como em Pulp Fiction de Quentin Tarantino).

Quando falamos de realizadores desta época lembramo-nos de Manoel de Oliveira, a maior lenda do cinema português, que nos anos 90 atingiu um ritmo de produção frenético e aclamado em Cannes. E ainda João César Monteiro, o realizador mais satírico, provocador e genial da década, criador da “Trilogia de João de Deus”.

Continue a viajar pelas várias épocas do cinema português!