Internacionalização e Estética
A década de 2010 foi profundamente marcada pela grave crise económica e pelo período de austeridade que Portugal atravessou. De forma natural, o cinema refletiu esse ambiente de desencanto, desemprego e rutura social, mas fê-lo com uma criatividade artística transbordante.
Esta foi a era de ouro da internacionalização crítica: nunca os filmes portugueses foram tão disputados pelos comités de seleção dos grandes festivais mundiais. Os realizadores desta época exploraram formatos ambiciosos, como trilogias de longa duração, misturaram fábulas políticas e musicais operários, e revisitaram com coragem as feridas abertas do passado colonial em África. O cinema português afirmou-se no mundo como um farol de resistência estética contra a uniformização de conteúdos.
Exemplos de Filmes/Projetos
Tabu, 2012
Obra-prima de Miguel Gomes filmada a preto e branco que cruza a melancolia de uma idosa em Lisboa com uma trágica história de amor vivida numa colónia africana antes da guerra.
Mil e Uma Noites, 2015
Uma estrutura monumental de três filmes em que Miguel Gomes usa a estrutura das fábulas de Xerazade para denunciar as histórias reais de miséria e sofrimento geradas pela austeridade da Troika em Portugal.
A Fábrica De Nada, 2017
Dirigido por Pedro Pinho, este filme que mistura drama social com momentos musicais acompanha um grupo de operários que ocupa uma fábrica de elevadores para evitar o desmantelamento da mesma.
Figuras Marcantes
As figuras marcantes da década de 2010 foram Rita Blanco, uma das atrizes mais queridas do público português que nesta década cimentou o seu estatuto dramático internacional com interpretações viscerais no cinema de autor. Carloto Cotta, ator versátil, de presença simultaneamente cómica e dramática, transformou-se no rosto masculino fetiche da nova vaga de realizadores portugueses premiados além-fronteiras.
Alguns realizadores que marcaram esta época é João Pedro Rodrigues, cineasta que levou ao extremo a exploração do corpo, do desejo Queer e do fantástico em obras premiadas como O Ornitólogo. Ganhou ainda destaque com o filme “Morrer como um homem” que foi eleito entre os melhores estreantes em França e reconhecido internacionalmente.






