1930-40

A Idade de Ouro

As décadas de 1930 e 1940 representam o período de maior impacto comercial e popular da história do cinema português. Com o advento do cinema sonoro, o público acorria em massa às salas para ver e ouvir os seus ídolos falar, cantar e discutir no grande ecrã.

 

Foi a era da “comédia à portuguesa”, um género que misturava o humor do teatro de revista, os cenários idealizados dos bairros típicos de Lisboa e o fado melancólico. 

No entanto, esta efervescência cultural foi fortemente instrumentalizada pelo regime do Estado Novo. Sob a alçada do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN), o cinema era utilizado para promover uma visão pacífica, submissa e tradicionalista do país. Exceções artísticas como Aniki-Bóbó tentaram romper com esta estética idílica, introduzindo um olhar cru sobre a realidade social.

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Exemplos de Filmes/Projetos

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A Severa, 1931

Primeiro filme sonoro português, dirigido por Leitão de Barros, com as filmagens exteriores gravadas e sonorizado em França e as cenas exteriores rodadas em Portugal. O filme imortalizou o mito trágico da fundadora do fado e o ambiente das tabernas do século XIX e acelerou a construção de um estúdio devidamente equipado para o som em Lisboa.

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A Canção de Lisboa, 1933

Realizado por Cottinelli Telmo, foi o primeiro filme sonoro integralmente produzido em território nacional, ditando as regras do género. Foi ainda um filme feito com alegria, entusiasmo e amor ao cinema, sentimentos que vieram a refletir-se claramente nas suas imagens.

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Aniki-Bóbó, 1942

A genial estreia na longa-metragem de Manoel de Oliveira, focada no realismo poético e psicológico das crianças que cresciam nas margens do Douro. O título refere-se a uma antiga cantilena infantil destinada a formar equipas para os jogos, em especial os de “polícias e ladrões”, cuja letra é a seguinte: “Anikibébé. Anikibóbó. Passarinho. Tótó. Berimbau. Cavaquinho. Salomão. Sacristão. Tu és polícia. Tu és ladrão”.

Figuras Marcantes

vasco santana
Vasco Santana
antonio silva
António Silva
jose cottinelli telmo
José Cottinelli Telmo
jose leitao de barros
Leitão de Barros

Algumas figuras marcantes desta época são os atores Vasco Santana, a figura central e mais amada desta era, cujo humor ingénuo, desajeitado e carismático moldou a comédia nacional para sempre, e António Silva, o contraponto perfeito de Vasco Santana, célebre pelas suas personagens autoritárias, resmungonas, irónicas e paternalistas.

Já realizadores falamos de Cottinelli Telmo, arquiteto e cineasta que realizou A Canção de Lisboa, fundando a estética visual da comédia musical portuguesa. E Leitão de Barros, um realizador ambicioso e polivalente que dirigiu A Severa e várias das maiores superproduções históricas da época.

Continue a viajar pelas várias épocas do cinema português!