Novas Visões do Real
A viragem para o século XXI trouxe uma mudança estética drástica no cinema de autor em Portugal. Uma nova vaga de realizadores começou a rejeitar o pendor excessivamente literário e teatral dos anos 90 para regressar a uma realidade mais crua, física e urbana.
O grande foco desta década foi a diluição das fronteiras entre o documentário e a ficção.
Realizadores começaram a instalar-se com pequenas equipas digitais em bairros sociais degradados das periferias de Lisboa, trabalhando com não-atores para expor a pobreza, a toxicodependência e a exclusão social de forma poética mas implacável. Paralelamente, o cinema português provou que também sabia fazer grandes produções históricas e dramas psicológicos urbanos sobre a solidão contemporânea nas metrópoles.
Exemplos de Filmes/Projetos
Capitães de Abril, 2000
A mais ambiciosa e bem-sucedida reconstituição histórica da
Revolução de 1974, realizada, escrita e protagonizada por Maria
de Medeiros.
Alice, 2005
A aclamada primeira longa-metragem de Marco Martins, que retrata de
forma fria, obsessiva e dolorosa a busca de um pai por uma filha
desaparecida numa Lisboa cinzenta e indiferente.
Aquele Querido Mês de Agosto, 2008
Miguel Gomes surpreende os festivais internacionais com uma obra
brilhante que mistura documentário sobre festas populares, músicos
amadores da Beira Alta e uma história de amor ficcional.
Figuras Marcantes






