News
Filme da Semana: "Obsession - A Felicidade é Relativa" e o Preço Obscuro do Amor
Escrito por: Rafael Grazina | 6 de Junho de 2026, 11:30
“Cuidado com o que desejas, pois pode tornar-se realidade.” Esta velha máxima nunca fez tanto sentido como no nosso destaque desta semana. Se estás à procura de um romance clichê onde o rapaz finalmente conquista a sua melhor amiga de infância, estás no lugar errado.
“Obsession – A Felicidade é Relativa” é uma autêntica viagem alucinante que mistura a ingenuidade dos amores de juventude com o terror psicológico mais puro (e sangrento) da atualidade. Promete não deixar ninguém indiferente.
A história acompanha Bear (interpretado por Michael Johnston), um jovem romântico e funcionário de uma loja de música, que nutre uma paixão secreta pela sua melhor amiga, Nikki (Inde Navarrette). Cansado de estar na temida friendzone e prestes a confessar os seus sentimentos, Bear decide recorrer a um artefacto místico chamado One Wish Willow, pedindo um único desejo: que Nikki se apaixone por ele.
O desejo concretiza-se, mas o que parecia o início de um conto de fadas moderno transforma-se rapidamente numa espiral de horror. O amor de Nikki não é dócil nem carinhoso; é uma obsessão doentia, possessiva e de contornos extremamente violentos. Quanto mais Bear tenta afastar-se para travar a loucura que desencadeou, mais agressiva e incontrolável a situação se torna.
O filme tem a proeza de começar com o tom leve de uma comédia adolescente, atirando-nos, de forma implacável, para um banho de tensão recheado de violência e gore. É uma desconstrução brilhante do velho trope do “bom rapaz que só quer a rapariga”.
A obra capta perfeitamente as ansiedades contemporâneas sobre relacionamentos tóxicos, a falta de limites e a possessividade extrema, embrulhando tudo num thriller de ritmo frenético e com um humor negro muito bem medido.
A química entre Johnston e Navarrette é o grande motor da narrativa. A transição de Nikki, de amiga leal para uma figura absolutamente aterrorizadora, é executada de forma magistral, garantindo que o espectador sinta o mesmo desespero claustrofóbico do protagonista.
Um dos aspetos mais fascinantes desta longa-metragem é a sua origem. O realizador Curry Barker não é um veterano de Hollywood. Depois de dar nas vistas com projetos independentes no YouTube, Barker agarrou num orçamento extremamente modesto e transformou-o num fenómeno de bilheteira.
Barker junta-se assim a uma nova e entusiasmante vaga de cineastas contemporâneos que estão a revitalizar o terror — apostando mais em ideias originais, atmosferas desconfortáveis e narrativas arrojadas do que em sustos fáceis e previsíveis.
Se és fã de um filme que te deixe na ponta da cadeira, a contorcer-te de desconforto e a questionar os limites da sanidade emocional, “Obsession – A Felicidade é Relativa” é paragem obrigatória. É uma experiência intensa e difícil de esquecer, provando que, às vezes, o amor pode mesmo ser a força mais destrutiva do universo.