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Backrooms: Um filme que está a bater recordes

Escrito por: Gabriel Querino   |   5 de Junho de 2026, 10:49                                                                  

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O zumbido constante das luzes fluorescentes. O cheiro a carpete velha e húmida. Um labirinto amarelo que parece não ter fim. Se passaste algum tempo na internet nos últimos anos, é provável que já tenhas ouvido falar das “Backrooms”. O que começou como uma simples lenda urbana digital evoluiu agora para uma das maiores surpresas do cinema de terror moderno, quebrando recordes de bilheteira e redefinindo o que significa sentir medo no grande ecrã.

Mas como é que uma imagem desfocada publicada num fórum se transformou num monstro cinematográfico capaz de arrastar multidões aos cinemas?

A história de The Backrooms é um testemunho do poder da cultura digital. Tudo começou em 2019, no fórum 4chan, com uma imagem perturbadora de um espaço de escritórios vazio, acompanhada por um pequeno texto que descrevia a terrível ideia de “cair fora da realidade” (o chamado noclip) e aterrar numa dimensão paralela infinita.

A ideia de “espaços liminares” – locais de transição que parecem estranhos ou assustadores quando estão vazios – captou a imaginação de milhões. No entanto, foi o jovem realizador Kane Parsons (conhecido no YouTube como Kane Pixels) que deu vida a este universo através de uma série de vídeos de terror analógico. O sucesso foi tão esmagador que os grandes estúdios de Hollywood não demoraram a bater-lhe à porta, resultando nesta aposta cinematográfica de alto nível.

O filme das Backrooms não é apenas mais um título de terror genérico. O seu sucesso nas bilheteiras e nas redes sociais deve-se a uma combinação perfeita de vários elementos:

  • Uma Base de Fãs Enorme e Fiel: Antes mesmo do lançamento do primeiro trailer, o filme já contava com milhões de fãs dedicados a explorar o lore (a história de fundo), os diferentes “níveis” e as entidades deste universo.

  • Terror Psicológico em vez de Jump Scares: Ao contrário do terror tradicional, que aposta em sustos repentinos, Backrooms brinca com a fobia do isolamento, a claustrofobia e o medo do desconhecido. É um terror que rasteja sob a pele.

  • Uma Estética Única: O uso de elementos de found footage (filmagens encontradas) misturados com um design de som opressivo cria uma imersão total. O espectador sente-se literalmente preso naquele labirinto amarelo.

  • Marketing Viral Inteligente: A campanha de promoção do filme soube utilizar a linguagem da internet, com vídeos misteriosos, sites enigmáticos e pistas que obrigaram a comunidade a trabalhar em conjunto.

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Se estás a pensar ir ao cinema ver o porquê de tanto alarido, prepara-te para uma viagem desconfortável. O filme expande a mitologia original de forma brilhante, sem perder a essência aterradora do material de origem.

A realização foca-se intensamente no desespero humano perante o impossível. Não se trata apenas de fugir de “monstros”; trata-se da perda de esperança num espaço que desafia as leis da física e da lógica. A cinematografia faz com que cada corredor vazio pareça uma ameaça, e o silêncio é usado como uma arma tão afiada quanto qualquer banda sonora estrondosa.

Backrooms não está a bater recordes por acaso. É o exemplo perfeito de como a indústria cinematográfica está a aprender a adaptar fenómenos virais com o respeito e o orçamento que eles merecem. Mais do que um simples filme de terror, é uma experiência cultural que marca o ponto mais alto do “terror analógico” em Hollywood.

Sejas um fã de longa data que conhece todos os níveis do labirinto ou um novato à procura de um bom susto, uma coisa é certa: vais olhar duas vezes para corredores vazios na próxima vez que estiveres sozinho num edifício.

Trailer